“O MOC nos ensina a ser Resistente”! Seminário refletiu sobre a Participação das Mulheres na Política

“O MOC nos ensina a ser Resistente”! Seminário refletiu sobre a Participação das Mulheres na Política

26/09/2018

“Lugar de Mulher é onde ela quiser inclusive na Política”. Essa afirmação embala a crença que as mudanças necessárias e justas para este país serão através mulheres, além de firmar suas lutas por direitos, liberdade, equidade de gênero e proporcionar momentos de partilharem experiências, unirem forças, sonhos e rebeldias contra o sistema capitalista, opressor e antidemocrático ao qual o Brasil vive. E em mais um espaço mulheres dos Territórios da Bacia do Jacuípe, Portal do Sertão e Sisal refletiram e debateram durante Seminário Interterritorial sobre a Participação das Mulheres na Política, na terça-feira (25) de setembro, que seguiu o proposito de construir estratégias de fortalecimento das mulheres na política, ao modo que elas possam interferir na elaboração de proposta com candidatas que se comprometem com garantia dos direitos das mulheres e superação das desigualdades de gênero.

 

A atividade faz parte das ações do Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com Actionaid Brasil que comunga da defesa dos direitos humanos, como os das mulheres. “Não, a tudo que possa ferir a nossa dignidade de pessoas humanas. Vamos à luta contra o fascismo, contra o ódio e a favor da vida”, salientou Vandalva Oliveira (Coordenadora Pedagógica do MOC) dando as boas vindas as participantes do Seminário, que deu início com uma mística que retratou a resistência e força das mulheres sobre as mazelas que tentam predominar na vida do povo, como racismo, homofobia, machismo e o fascismo.

 

E para emblemar esse horizonte de fortalezas, mulheres de garra e grandes batalhas formaram uma mesa para exporem a partir de suas experiências, sobre a participação em espaços da política, como Brena Pinto (Secretaria de Mulher do PT da Bahia), Luciana Mota (Secretaria de Políticas para Mulheres - SPM) e Cleidenea Bastos (Vereadora de Pintadas), com a corroboração de Selma Glória (Coordenadora do Programa de Gênero do MOC) na mediação. “É com essa mesa forte, representativa de mulheres resistente que nós vamos começar nosso debate”, frisou Selma Glória.

 

A historiadora Brena Pinto fez uma volta no tempo e abordou sobre a caminhada árdua das mulheres para conquistar sua participação na política e até mesmo no direito de votar. “A participação da mulher na política ela é muito recente no Brasil, nos mais de 500 anos de existência, a gente vota a menos de 100 anos, mas só tivemos o direito de participar da política, de ser votadas em 1932, mas mesmo assim essa lei não nos deu a ampla participação, essa participação de fato de direito mesmo, foi algo muito mais recente do que a lei. Então pra gente esse exercício de votar e ser votada, de ter direito de voz é muito recente, nós ainda estamos experimentando muito e isso não nos foi dando e sim conquistado com luta”, enfatizou Brena completando ainda ser revigorante participar desses espaços que traz a importância da vida das mulheres.

 

“Companheira me ajuda, que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”. Foi com essa canção que transmite a essência da coletividade feminina na busca por suas conquistas, que deu inicio a fala de Luciana Mota. “Pensando nas mudanças desses sistemas é que precisamos desenhar políticas públicas que der a possibilidade das mulheres cuidarem de seus lares junto com seus companheiros, que elas possam estudar, trabalhar, segurar um microfone e que ela possa chegar ao parlamento. Mas é importante também que garanta o desenho de proposta, de ideias que sejam registradas nos orçamentos do governo. E assim eu acredito nas parlamentar que escolho para me representar, a partir desse cenário das eleições 2018(...). Mulheres unidas fazem a diferença”, expressou Luciana Mota.

 

“Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer participando sem medo de ser mulher”, foi assim que a Vereadora de Pintadas Cleidenea Bastos relatou sobre os desafios de como chegou e como vem caminhando e resistindo nesse papel crucial, que é sim conquistado pelas mulheres depois de muita luta contra o machismo e patriarcado, embora essa participação ainda seja restrita.

 

“Não é um lugar fácil o nosso lugar de luta, quando se trata de uma mulher empoderada, a primeira barreira que nós precisamos romper é dentro de nós  mesmas.  O machismo ele é tão forte que ele confunde a nossa mente mesmo estando em um espaço de poder. No dia que eu decidir entrar na politica em 2008 foi muito difícil, porque tinha muitas dúvidas e muitos medos, depois que a gente decide nós temos várias barreiras, várias portas para gente as vezes arrebentar, não abrir simplesmente, é arrebentar portas para gente conquistar o que a gente quer(...). A gente precisa levar isso de ‘Voto em quem me respeita para todas as eleições’, porque as mulheres decide a política brasileira, porque nós somos a maioria, a maioria também nos espaços de lutas, nós construímos muito neste país”, colocou Cleidenea afirmando que vale a luta para conquistar um Brasil melhor e justo para todos/as.

 

“Não vamos nos calar, vamos lutar”, entre essa e muitas outras falas mulheres debateram e colocaram suas ideias sobre as mudanças urgentes para esse cenário desastroso, que destrói vidas e sonhos da classe trabalhadora, cantando e escoando suas vozes na persistência de suas lutas, além de relatos fortes, marcantes e emocionantes delas e de muitas que se foram para que essa história de resistência permaneça.

 

O Seminário partiu para seu encerramento de forma intensa como todo o dia, marchando pelas ruas do município de Feira de Santana, dizendo não a toda forma de violência, descriminação e ódio, ou seja, contra o fascismo e favor da vida, do amor e em defesa dos direitos participativos, democráticos e com equidade de gênero. Afirmando que "Quando uma mulher entra na política muda à mulher, quando muitas mulheres entram na política, muda a política". Michele Bachelet.




Por: Robervânia Cunha

Programa de Comunicação do MOC - PCOM