Jornada PMAS 2026 definiu agenda estratégica do MOC e fortaleceu debate sobre democracia, direitos e enfrentamento às emergências climáticas

13/02/2026
Jornada PMAS 2026 definiu agenda estratégica do MOC e fortaleceu debate sobre democracia, direitos e enfrentamento às emergências climáticas

Entre os dias 11 e 13 de fevereiro, em Feira de Santana, o Movimento de Organização Comunitária (MOC) realizou a Jornada PMAS 2026, consolidando um espaço estratégico de avaliação institucional, leitura de conjuntura e definição de prioridades para o próximo ciclo anual. O encontro reuniu equipe técnica e entidades parceiras com o objetivo de analisar o percurso de 2025 e estabelecer a agenda estratégica e o Plano Operacional Anual (POA) de 2026, a partir de prioridades voltadas à ampliação de direitos, ao fortalecimento da incidência política e ao enfrentamento dos impactos das emergências climáticas no Semiárido baiano e também nos territórios da Mata Atlântica onde o MOC passa a atuar.


A programação teve início com a avaliação do percurso institucional de 2025, por meio da ferramenta de monitoramento e avaliação programática da organização. O processo possibilitou identificar avanços, desafios e lições aprendidas nas ações de fortalecimento da agricultura familiar e da economia solidária, na promoção da educação contextualizada do campo, na ampliação do acesso à água, na incidência política e na atuação junto às populações vulnerabilizadas. A análise evidenciou ainda os efeitos crescentes das emergências climáticas e a necessidade de respostas estruturantes que articulem desenvolvimento territorial, justiça social e sustentabilidade ambiental. A partir dessa leitura crítica, foram definidas perspectivas e prioridades para 2026, alinhando a atuação institucional ao cenário político, social e climático que se projeta.

No campo da formação política, a Jornada aprofundou o debate sobre o cenário das eleições de 2026 e seus possíveis impactos nos territórios onde o MOC atua. Com o tema “Qual projeto político nos interessa?”, o encontro provocou reflexões sobre democracia, representatividade e disputa de projetos societários. A discussão dialogou com dados do Relatório Oxfam 2025, que aponta o crescimento da concentração extrema de riqueza e seus efeitos sobre a qualidade das democracias, indicando que países mais desiguais apresentam maior risco de erosão democrática.

A programação incluiu o Cine MOC, com a exibição do documentário O Bem Virá, que aborda os projetos políticos relacionados ao combate à seca e à convivência com o Semiárido, evidenciando as disputas históricas entre concentração de poder e construção de alternativas baseadas na organização comunitária e na garantia de direitos. Após o filme, houve partilha de impressões e reflexão coletiva sobre as conexões entre os projetos apresentados e o cenário das eleições de 2026. À tarde, os grupos por programa discutiram como levar o debate às comunidades e definiram encaminhamentos, incluindo monitoramento dos processos e produção de materiais formativos.

Para o presidente do MOC, Edisvânio Pereira, o momento eleitoral exige uma análise que vá além das candidaturas majoritárias.

“Às vezes a gente se preocupa muito em pensar que eleger um governador, um prefeito ou um presidente já resolve o problema. Mas é fundamental refletir sobre quem são os legisladores e legisladoras, que tipo de sujeitos e sujeitas vão discutir e defender os projetos nas casas legislativas”, afirmou. Ele destacou que o debate promovido pela instituição fortalece um olhar crítico sobre propostas comprometidas com a agricultura familiar, a economia solidária, a educação do campo contextualizada, o acesso à água e a garantia de direitos sociais.

A Coordenadora Geral do MOC, Célia Firmo, reforçou que a reflexão institucional não está centrada em partidos ou nomes específicos, mas na defesa de uma plataforma comprometida com direitos e com o bem viver.

“Não é somente executar projetos, realizar atividades. É contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas. No ano eleitoral, é importante refletir quais propostas realmente garantem direitos e promovem o bem viver”, pontuou. Segundo ela, a Jornada também cumpre a função de alinhar internamente a atuação da organização às necessidades concretas das populações do Semiárido e da Mata Atlântica.

Durante o encontro, foram apresentados dados sobre a composição do Congresso Nacional, evidenciando desafios relacionados à representatividade racial, feminina e de classe, além da forte presença de setores vinculados ao grande capital e ao agronegócio. Também foram debatidos números referentes ao fechamento de escolas públicas do campo nos últimos anos e o contraste entre os recursos destinados ao agronegócio e aqueles direcionados à agricultura familiar, reforçando a importância de uma incidência política qualificada na defesa de políticas públicas estruturantes.

Outro eixo da Jornada foi o aprofundamento das reflexões sobre os projetos políticos historicamente defendidos pelo MOC, com análise das dinâmicas entre concentração e partilha de poder, riqueza e oportunidades. A equipe discutiu estratégias para ampliar esse debate junto às comunidades e grupos acompanhados pela instituição, especialmente diante do processo eleitoral de 2026, além de planejar mecanismos de acompanhamento contínuo dessas discussões no âmbito das equipes programáticas, assegurando que a formação política permaneça como dimensão estruturante da ação institucional.

Para o professor Thiago Sampaio, diretor do Campus 14 da Uneb, em Conceição do Coité, a Jornada cumpre papel formativo relevante.

“É uma ação política muito importante para realizar formação política, repensar os rumos do país e aprofundar políticas públicas que também são pautas da universidade, como a educação emancipadora e a educação do campo”, afirmou. Ele destacou a parceria histórica entre Uneb e MOC na defesa de um desenvolvimento territorial baseado no envolvimento com as comunidades e na participação pública qualificada.

Com base nas conclusões da avaliação de 2025 e nas análises realizadas ao longo do encontro, a Jornada avançou na elaboração do Plano Operacional Anual (POA) 2026, definindo ações estratégicas por programa e diretrizes alinhadas à ampliação de direitos, ao fortalecimento da incidência política e ao enfrentamento das vulnerabilidades socioambientais nos territórios de atuação. Também foi consolidada a agenda estratégica do MOC para 2026, incluindo pautas prioritárias de incidência, posicionamentos institucionais, cronograma do PMAS e momentos de estudo e alinhamento interno, garantindo coerência com a missão e a visão institucional de longo prazo.

Ao final dos três dias, a Jornada PMAS 2026 reafirmou a organização comunitária como estratégia central de fortalecimento democrático. Mais do que um momento interno de planejamento, o encontro se consolidou como espaço de leitura crítica da realidade e de construção coletiva de caminhos para um Semiárido justo, inclusivo e resiliente às mudanças climáticas, com direitos garantidos e participação popular qualificada na definição dos rumos do desenvolvimento territorial.