Encontro estadual fortalece atuação de agentes multiplicadores do Programa Água Doce e reafirma segurança hídrica no Semiárido

18/06/2026
Encontro estadual fortalece atuação de agentes multiplicadores do Programa Água Doce e reafirma segurança hídrica no Semiárido

Representantes de comunidades rurais, gestores públicos, organizações da sociedade civil e instituições parceiras se reuniram nos dias 16 e 17 de junho, em Feira de Santana, para o Encontro Estadual dos Agentes Multiplicadores do Programa Água Doce (PAD-Bahia). Realizado no Teatro do Colégio Estadual Ana Angélica Vergne, o evento promoveu trocas de experiências, formação e fortalecimento das estratégias de acesso à água de qualidade para populações do Semiárido baiano.

A iniciativa reuniu agentes multiplicadores de diversos territórios onde o Programa Água Doce já atua com sistemas de dessalinização voltados ao abastecimento humano. O encontro teve como objetivo ampliar conhecimentos, fortalecer o controle social e consolidar uma rede de pessoas comprometidas com a segurança hídrica nas comunidades.


A coordenadora do Programa Água Doce, Ana Glécia, destacou que o encontro representa um importante espaço de articulação entre diferentes atores sociais e institucionais.

“Estamos reunindo diversos territórios, principalmente aqueles onde o Programa Água Doce tem sistemas instalados em suas comunidades. Aqui temos poder público, sociedade civil, comunidades e organizações não governamentais atuando como agentes multiplicadores”, afirmou.

Segundo ela, o programa tem sido uma alternativa concreta de convivência com o Semiárido, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

“O Programa Água Doce tem sido uma alternativa para convivência com o Semiárido, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover resiliência frente às emergências climáticas. É água do copo à panela, água de qualidade nas comunidades”, ressaltou.

Ana Glécia também destacou a importância do trabalho desenvolvido em parceria com o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e instituições parceiras. Segundo ela, o encontro busca ampliar o número de agentes multiplicadores e fortalecer a divulgação da iniciativa para outras comunidades.

“Água é vida”, resumiu.

A superintendente da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia, Maiana Pitombo, reforçou que o encontro tem papel estratégico para a sustentabilidade do programa ao longo do tempo. Segundo ela, a atuação dos multiplicadores é essencial para garantir que os sistemas continuem funcionando adequadamente após a instalação.

“O Encontro Estadual dos Multiplicadores do Programa Água Doce é uma iniciativa muito importante para a manutenção do programa, porque são esses multiplicadores que fazem o trabalho principal, que é manter o sistema depois da instalação”, destacou.

Maiana também ressaltou a relevância da formação continuada e da parceria entre a SEMA e o Movimento de Organização Comunitária para fortalecer a autonomia das comunidades e a gestão compartilhada dos sistemas.


Entre as lideranças comunitárias presentes, a experiência concreta de quem vive a transformação no território deu o tom do encontro. Foi o caso de Sueli Trabuco, liderança da comunidade de Limeira, no município de Santaluz, que compartilhou os impactos do programa no cotidiano das famílias.

“Para mim, está sendo muito enriquecedor participar deste encontro, trazendo a experiência que nós temos vivido lá e trocando vivências com outros municípios”, afirmou.

Sueli destacou que o acesso à água potável mudou significativamente a realidade local, especialmente entre famílias em situação de maior vulnerabilidade social.

“O Programa Água Doce tem trazido para as comunidades vida, saúde, cuidado e muita alegria para as famílias, principalmente as famílias de baixa renda, que hoje conseguem levar para suas casas a água doce, a água que é vida”, disse.

Ela também agradeceu o apoio das instituições envolvidas na execução do programa e reforçou a importância de espaços coletivos de formação.

“Eventos como esse são gratificantes para as nossas comunidades.”

Representando o Governo Federal, Sônia Costa, diretora do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou o encontro como um momento estratégico para o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao Semiárido.

“Hoje é um momento de extrema importância para o Governo Federal e para o Governo do Estado da Bahia”, afirmou.

Ela ressaltou que a articulação entre União, Estado e comunidades tem potencializado resultados concretos, inclusive no campo da inclusão socioprodutiva.

“Estamos trazendo, junto com o Água Doce e o Sal da Terra, 21 milhões de reais em investimentos nessas unidades produtivas vinculadas ao programa.”

De acordo com ela, essas ações vão além do acesso à água e contribuem diretamente para a autonomia econômica das famílias.

“Esse evento demonstra que políticas públicas voltadas para a inclusão socioprodutiva geram renda, segurança hídrica, segurança alimentar e autonomia econômica.”

A coordenadora geral do Movimento de Organização Comunitária (MOC), Célia Firmo, chamou atenção para a dimensão política do encontro. Segundo ela, além da troca de experiências técnicas, o momento também fortalece a mobilização em defesa de direitos e da continuidade de políticas públicas essenciais para o Semiárido.

“Debatemos, sobretudo, a necessidade de lutarmos pela continuidade desse programa”, afirmou.

Célia destacou que o papel dos agentes vai além da multiplicação de informações técnicas sobre o funcionamento dos sistemas de dessalinização.

“Somos muito mais do que agentes multiplicadores. Somos pessoas que lutam por direitos, não somente os nossos, mas também pelos direitos de muitas outras pessoas”, ressaltou.

Para ela, defender o Programa Água Doce é também defender dignidade, cidadania e o direito de populações historicamente vulnerabilizadas ao acesso à água de qualidade.

Segundo dia amplia debates sobre segurança hídrica e inclusão produtiva

O segundo dia do Encontro Estadual dos Agentes Multiplicadores do Programa Água Doce (PAD-Bahia), realizado nesta quarta-feira (17), foi marcado por importantes reflexões e pela apresentação de iniciativas voltadas ao fortalecimento da convivência com o Semiárido e da segurança hídrica nas comunidades atendidas pelo programa.

Entre os destaques da programação esteve a apresentação do Projeto O Sal da Terra, desenvolvido pela Embrapa Semiárido. A iniciativa promove ações voltadas ao uso produtivo do rejeito salino gerado pelos sistemas de dessalinização, incentivando atividades como a criação de peixes e a irrigação de plantas tolerantes ao sal. Atualmente, o projeto está presente em seis estados do Nordeste, incluindo a Bahia, contribuindo para ampliar as possibilidades de geração de renda e sustentabilidade nas comunidades beneficiadas.

Outro momento importante foi o painel “Reflexão sobre o fortalecimento do Programa Água Doce (PAD) como política pública permanente de acesso à água, resiliência climática e segurança alimentar no Semiárido”. A atividade reuniu representantes de instituições parceiras, lideranças comunitárias e agentes multiplicadores em um amplo debate sobre os avanços, desafios e perspectivas do programa.

A partir das reflexões coletivas da plenária, foram construídas proposições para o fortalecimento do PAD, reafirmando sua importância como uma política pública estratégica para garantir o acesso à água de qualidade, promover a segurança alimentar e fortalecer a capacidade de adaptação das comunidades do Semiárido diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

As discussões reforçaram que a segurança hídrica no Semiárido vai além da implantação de infraestrutura. Ela depende também da participação ativa das comunidades, da formação continuada dos agentes multiplicadores e da integração entre políticas públicas capazes de promover desenvolvimento sustentável, inclusão produtiva e resiliência climática.


O Encontro Estadual dos Agentes Multiplicadores encerrou-se consolidando um espaço de aprendizagem coletiva, troca de experiências e fortalecimento das comunidades que vivenciam, na prática, os impactos positivos do Programa Água Doce. Mais do que garantir acesso à água de qualidade, a iniciativa reafirma a água como direito, dignidade e condição essencial para a convivência sustentável com o Semiárido.